Distimia

Distimia

A distimia é um tipo de doença emocional muito parecida com a depressão. Entretanto, seus sintomas são mais leves e com tendência a manter a funcionalidade do paciente, ainda que com vários prejuízos.

Cerca de 3% da população mundial sofre da doença. Nela, a tristeza normalmente é persistente por um longo período (pelo menos 2 anos), permanecendo a maior parte do dia, na maioria dos dias, mas sem se tornar intensa e grave a ponto de incapacitar o doente para atividades laborativas, sociais e acadêmicas.
Os sintomas são muito semelhantes aos da depressão: desinteresse ou perda do prazer, irritabilidade, mau humor, descontentamento com tudo, pessimismo, insônia ou hipersonia, queixas cognitivas (memória, atenção e concentração), alterações de apetite e isolamento social. Não há obrigatoriedade de todos esses sintomas estarem presentes, mas, normalmente, são muito prevalentes.

Dentre esses sintomas, o mais característico da distimia é o mau humor. Os distímicos geralmente são pessoas mau humoradas, que reclamam demais, sempre veem os aspectos ruins da vida em detrimento dos bons e normalmente não reconhecem que são doentes.
Dessa forma, o indivíduo tende a aceitar o seu mau humor como normal e parte de sua personalidade, não apresentando autocrítica sobre sua expressão emocional doentia. As pessoas mais próximas do distímicos sofrem os malefícios em conviver com um paciente sempre usando uma “lente cinza” para se interpretar a realidade.

A distimia normalmente se manifesta na infância, adolescência ou início da idade adulta, o que leva muitos a passar a vida inteira acreditando que os sintomas são em decorrência do temperamento normal (“eu nasci assim, vou ser sempre assim”).

Crianças com distimia normalmente são irritadas e mau humoradas. Já os adolescentes tendem a ser rebeldes e irritados. A distimia é mais comum em pessoas que apresentam história familiar de depressão ou outros transtornos do humor.

Apesar de ser menos grave que a depressão, a distimia pode levar a inúmeros problemas sociais e ocupacionais. O paciente normalmente apresenta baixa produtividade no trabalho, maior dificuldade de relacionamentos e tende a abusar de álcool e drogas.

Os pacientes se cobram muito, são perfeccionistas e possuem baixa resistência a frustações. O distímico vive isolado, cansado, sempre carregando um peso e vendo a vida sem cor e sem graça.

O paciente distímico possui um risco muito maior de desenvolver depressão que a média da população e, a qualquer momento, pode apresentar agravamento dos seus sintomas clínicos. Ter distimia aumenta em 30% a chance de se apresentar um episódio de transtorno depressivo maior.
É de fundamental importância que o tratamento se inicie já na infância e adolescência para se evitar sequelas e problemas sociais, escolares e ocupacionais.

Fonte: Livro Depressão Doença ou Problema Espiritual, Ismael Sobrinho